Segunda-feira, Novembro 02, 2009

 
Novos Ares

Sempre o pé esquerdo primeiro. Depois o direito se emparelha.
A vista está um pouco embaçada enquanto o mundo ainda gira.
O tapete tecido xadrez de azul, marrom e bege é novidade.
As preces chegam a Meca, ainda que pelo caminho mais distante.

As coisas mudaram, mas não é isso. No íntimo há um desejo de ser algo, embora não haja força para tal.

Estar preso pelas convicções é o amadurecimento necessário em hora inoportuna.
Se os mentores se afastam, é hora de mostrar que não são mais necessários.

Custe o que custar.

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Pedra e Ponte

Tinha uma ponte por sobre um ribeirão. Pequena e pequeno.
O grande número de pedrinhas em que minha mão estava, passou pouco a pouco ao fundo d'água.
A água reclamava respingando, não sustentava o pedrisco, recolhia as gotas, e esse se depositava calmamente no leito.
Perdi a conta de quantas chegaram ao fundo, mas nenhuma seguiu a correnteza.

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Domingo, Novembro 01, 2009

 


Pombas do tamanho de galinhas. Folhas secas no gramado tingido da terra vermelha, e que apesar do tempo seco, insiste em ficar verde. A terra cede e se desfaz, o que é vivo não.
Enquanto o vento briga com a água, esta cede, a árvore resiste.
Há de resistir.

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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

 
Miam

It's just that old feeling, but the physical pain remembers me that I'm awake.
How bad can it be when you don't want to sleep and neither keep fighting?

Ain't there a solution. In fact, invitations to avoid anything related distract enough to keep breathing...
Although it's nice to be far away, mind controlling isn't a strength anymore.
So, I'm going there just to proof that I shouldn't.

Well... I'm facing a lack of options.

So, never mind.

It'll be a nice weekend!

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Domingo, Outubro 25, 2009

 
Eco

- Na verdade eu não sei ao certo.
- Mas é recente ainda, não é?
- Os ocorridos, sim. Mas as causas são mais profundas...parece.
- E por isso você está assim...
- É.
- É normal ficar impassivo quando não vemos saídas para as voltas que a vida dá.
- Mas não dava para eu ter visto antes? Como eu não vi?
- Você não deve se sentir culpado.
- A não? Se não sou responsável, sou cúmplice?
- Não é esse o ponto. Existem mais coisas que você provavelmente não sabe.
- Ah tá! E por que eu não sei? E o que eu faço enquanto isso?
- Você tem que esperar notícias do outro lado. Não é sua vida, somente.
- E eu não posso fazer nada? Como eu não consegui fazer durante todo esse tempo... E fico esperando... num é possível.
- Você fez algo que tenha tomado proporções maiores?
- Espero que não. Eu diria que me controlei bastante.
- Acho que chega por hoje.
- Mas... viver é uma droga mesmo...
-Você sabe que não é verdade.

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Dos Papéis

Era uma vez um nefelibata. Por anos restrito a si próprio, a ponto de enlouquecer, encontra realidade, tangível. O tratado que pôs fim a terceira guerra mundial escrevia que deveriam ser minimizadas -senão aniquiladas- às fugas e que haveria abertura para degustar o que se chamava realidade.

Aos poucos, sem entender muito como deveria se portar, ouviu e observou atento, vivendo cada aspecto, tudo. Pois aquilo que, para realidade deveria ser evitado, era um mundo inteiro e não poderia ser perdido. Os pesos deveriam ser dados com o tempo, após cada vivência, pois tudo era novidade.

Mas os pontos de confluência das torrentes eram demasiado difíceis. Mas era novo. E isto dava um prazer diferente, e bom.

Mas somente a realidade fez bem ao nefelibata, pois o cansaço real causou o fim e pediu a inversão dos papéis ou o oposto. E nenhum nefelibata consegue mostrar que sonhar é uma fuga cruel, e que a sedução do mundo perfeito é triste, para quem não esteve do outro lado. Angústia. Isso é cruel.

Passou o tempo e a realidade deixou de acreditar no que o nefelibata dizia, que aquilo era a perfeição.

Mais duro é ver a realidade indo, pois a única missão do nefelibata era mostrar que o perfeito é ser real e o real era perfeito. E existindo. Não há mais chance.

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Quinta-feira, Outubro 15, 2009

 
Sometime we need just... more.

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Quarta-feira, Setembro 30, 2009

 
No More Smog

É preciso olhar para o lado. Ao atravessar. Depressa.
Fica tudo mais borrado.
A cinza chuva da Endres fica na lembrança, apenas.

Pois, mais cedo ou mais tarde, sempre, voltamos à casa.
Não é possível impedir a chuva de seguir seu caminho, nem de formar poças, correntes e rios.

Nunca.

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Das Entranhas

Pouco resta do sentimento original. O sabor é pálido e seco, enquanto os olhos ouvem as expressões tão incrédulas de fantásticas.
A face enigmática de admiração à proposta plausível, recheada com a lógica aceitação muito compreensível, luta para não se destruir o santuário como iconoclastas.
A marretadas e com profundo suspiro recupera-se o fôlego. Pois deve haver algo que a faça olhar além da estátua, o remorso das ações alheias que deveria sair das entranhas e calar.

O autor.

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Domingo, Abril 12, 2009

 
Chocolate

O esquecer do desprazer contínuo, numa dose de infantil ignorância, um pedaço da cegueira que tanto é precisa.
U-hum.
Concorde com o que quiserem, preocupa menos o que quer que se diga do que o próximo aroma que esta mordida raivosa pode propiciar.
Entorpeça as verdades e a pouca vontade de se acreditar no que atrapalha.
Ah...
Cegue, surde, mude...
Mude.

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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

 
Da Independência

Atravessa freis, doutores, padres e muita gente de nomes conhecidos até chegar a tal independência.
Com direito prendemos nós mesmos aos nossos olhos e à toda certeza de que as coisas acabarão bem.
O mundo é maior do que nós e tudo o que há de bom está mais distante que o braço esticado pode alcançar. Constatações à parte, temos pouco direito sobre a nossa esfera de ação.

A trincheira continua sem saber por está em fogo cruzado e qual partido tomar.
Na dúvida, descansa.

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Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

 
Pseudo

Não importa a época, o ato de perdoar continua sendo egoísta.
Pois o livrar-se de algo é necessário para aliviar o peso das costas e permitir o recomeço anual. O principal é abster-se do julgamento dos fatos já esquecidos, ainda que se mantenha o pé atrás, como que por reflexo condicionado.

O egoísmo é pleno posto que o arrependimento não é esquecido e a indisposição permanece para aquele que executou os fatídicos. O perdoante troca a roupa suja, e sorri de cara ao vento, enquanto que a angústia dos ecos dos erros atordoa, ou deveria.

Reconciliação é o bom-dia do fim de ano.

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Terça-feira, Novembro 25, 2008

 
Resumo da Ópera

O menino viu o que não devia, pôs as mãos no rosto e não conseguiu gritar. Correu de sua casa, o mais rápido que pôde, pulou o muro e continuou em disparada.

Somente parou por causa de um tropicão. O sangue queimou o rosto e percebeu que tudo era real. Entorpecido, desmaiou.

De desespero, novamente, quis gritar, mas viu que algo o calava e percebeu que ninguém o ouvia ou ouviria, decidiu não proferir palavra sequer.

Tempos mais tarde descobriu que havia pessoas próximas às quais poderia falar, mas elas ainda sim, não o entendiam.

Decidiu fugir, mas desta vez, de si mesmo, já que quem era errado naquele mundo, era ele próprio. Sem se despedir.

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Quinta-feira, Novembro 06, 2008

 
Do Sentir

Recorrência é frustrante. Pois sempre se permite uma nova interpretação da inútil felicidade, enquanto o que poderia gerar aprendizado cria a tortura. Repetida, incessante, sábia até. Sentir a mesma desgraça duas vezes quase invalida uma pessoa.

O que pode haver de errado? O eufemismo "característica" muda bastante o teor. A importância de fazê-lo é o de tentar focar no aspecto prático e solúvel. Se houvesse! Pois a solução sempre está na nossa frente e nunca conseguimos acreditar nela, e resolver, também, tira todo o romantismo da cena. Enxergamos mais facilmente de longe, ou para longe. O que seria se tivéssemos visão plena?

Ser livre deixa possibilidade do não sentir-se. Afinal, as sensações são a visão da realidade que adotamos, inconscientemente ou não, para nós mesmos. O que desejamos realmente, sempre, é sentir algo que consigamos vivenciar e nos enganarmos sem chance de descobrir a verdade. Posto que não há tal possibilidade, jamais nos sentiremos enganados.
Sentir é chave para o bem-estar.

Sinto-me péssimo, eu diria.

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Domingo, Outubro 26, 2008

 
Das Folhas

Que secam e caem no outono. Na verdade, caem flores também, nem tão secas. Aliás, pouco secas, no começo da primavera.

Talvez seja uma questão de vento. Afinal, se já esgotaram as possibilidades do pleno bem-estar, é hora de partir. Bom, por falta de pernas, é necessário um pouco mais do que vontade para cortar o cordão umbilical.

Mas nem tudo acaba dessa forma. Pois nem tudo que rompe o tal elo pretende uma queda curta de aventuras e a morte rápida. Há sementes. Jamais produziriam algo se continuassem juntas à origem. Definitivamente, existe hora que se deve partir.

Se muita força for necessária, há chuvas de verão, ventos de fevereiro e as desejadas águas de março. Certamente as levarão para bem longe.
Que assim seja.

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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

 
Um Pouco de Poder

Nos dá a sensação superlativa de controle sobre tudo. O instante é sempre ínfimo e esse prazer, estupidamente infinito.

O que faz as pessoas sorrirem é a recordação desse espaço de tempo, ou seja, a alteração dos pesos temporais neutros, pelo desbalanceamento favorável à situação. Momentos depois, já nem importa mais o que fora preciso fazer, fica apenas o positivo efeito.

Enganar-se é prazeroso. Duplamente. Goza da irrealidade criada e depois de um tempo, o martírio por ela causada. Mas nesse, o tempo pára. E não se move até que mingüe toda a força vital, pelas veias, pelo peito, pelos ares.

Não existe prazer maior que o da dor, pois não existe sensação-fato senão essa. Cala e cega e amarra. Você perde o controle e assim está livre.

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Sexta-feira, Outubro 03, 2008

 
X

Puseram-no algemas. A grotesca argola não combinava com os braços finos. Uma só conseguiria cobrir ambos, com toda certeza.
Ficara olhando sem muito peso para a situação. A indiferença acelerou o comentário:

- Pode ficar tranquilo, nós sabemos que incomoda. Mas jajá tiraremos e você ficará mais seguro.

Concordou em silêncio, afinal era lógico.

Depois de algumas burocracias e estava, enfim, sem aquelas algemas. Sentia-se livre.
O que dista dos olhos não oprime.

Foi assim que foi parar na prisão.

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Segunda-feira, Setembro 29, 2008

 
Sisudez

Antirrealista. Incoerência da dificuldade de ponderar aos culpados a culpa natural e silenciosa. Se o próprio reclama que desconfia da razão, deveria se calar e aproveitar o prazer da culpa. Pois a incerteza tempera irracionalmente a intensidade tendenciosa da dúvida. Materializar, ao menos. Senão, o oposto é mínimo.

A certeza diminuiria a imensidão de possibilidades e o reduziria aos ocorridos.
A surra desejada, ao menos moralmente, não funciona para esse tipo. O que vale é a criação de um teatro onde a personagem sente durante o espetáculo. Nos camarins, ri do pouco caso da tristeza falsa e faz pouco da maquiagem barata. Nem se olha no espelho.

Que olhos veem? O turbilhão continua a enjoar os olhos que ainda veem. Por quanto tempo mais será preciso?

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Segunda-feira, Setembro 22, 2008

 
Uma questão de Olhos

Os olhos que vêem a felicidade parcial sufocam a mísera imparcialidade desejada do próximo. E cega e destrói qualquer guarda já baixa pela situação indefesa.

A guerra silenciosa prosseguiu tempo demais. O suficiente para desistir do combate. O oponente lutou até o cessar-fogo da derrota anunciada. O único intuito era mostrar quem ali mandava.

As trincheiras continuaram sorrindo em meio ao caos. Pois não conseguiam enxergar o que ocorria, seus olhos não eram obtusos como se demandava. Mas sorriam, pois os rifles olhares soltavam pólvora e para alguns olhos eram fogos de artifício.

Eram belos, lúdicos, fantásticos...

Prefiria a cegueira dos olhos fechados, certamente.

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Quinta-feira, Setembro 11, 2008

 
A parte

A qual parte de qual todo deveria pertencer parte ou todo de mim? Pois sem evento trágico, nem assentamento de terras, dilúvios, chacoalhões e pés, porque haveria de sensibilizar-se perante o mesmo dia-a-dia pouco mudado.
Porque faz sentido.

Faz sentido dormir no fim do dia e acordar cedo. Mas os ébrios dormem pouco, dormem enquanto acordados e enganam bem os observadores.
Mas eles são felizes.

Não sinto calor com essa roupa, nem frio. Adapto-me bem.
Do que estava falando mesmo? Bom, ninguém sabe onde se pertence, mesmo.

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