domingo, junho 22, 2008

Serpente?

Entre a lua e o vermelho do pôr-do-sol. Violeta-púrpura, na verdade. Ainda que tudo isso exija atenção, estávamos preocupado com o trânsito, nossas mãos atadas a volantes, telefones ou no descanso a escorar rostos. O vermelho disputava com o freio da dona dos veículos, cuja intensidade imitava a maré. Ia, voltava, e sempre continuaria ali, quando em vez deixaria algum derrotado num porto seguro.
A lua está cheia, e poucos vêem isso.
Talvez nem seja real mesmo.


terça-feira, junho 17, 2008

Lentes Corretivas

Hipermétropes nasceram com a virtude de não conseguir enxergar, ao menos por muito tempo, coisas muito próximas. Míopes, com o prazer de tocar tudo o que os olhos vêem com exatidão.
De naturezas opostas, complementares.

Se não da vontade de ser outrem, por que das lentes corretivas?
Ainda sim, nunca se fica completo.

Na normalidade das coisas, vejo longe... e não usarei nada disso.
Absolutamente.


terça-feira, junho 10, 2008

Um tanto real...

Incrível como circunstâncias suprimem o desejo da escrita
Lutarei como os bravos.
Ainda sim, falta um tanto de sentido...


quinta-feira, junho 05, 2008

O Respiro

A irrealidade é saudável por esconder nas ações a linearidade do tempo. Consegue, sem muito esforço, tornar os dias mais curtos para o bel-prazer daquele que pouco prazer tem nas atividades cotidianas. Seria covardia culpar compromissos fatídicos, ao menos os carregados de desprazer, como responsáveis por minguar o ímpeto da impossibilidade romântica.
Certa vez cri no ponderar das coisas como chave para importar aos fatos o real valor de sê-los, fazê-los e suprimi-los.
Ainda que houvesse certeza de que as conclusões eram boas, senão fantásticas, volta sempre o desejo de não tornar híbrida a vivência.
Qualquer forma de interpretação da realidade é uma criação fictícia e qualquer realidade de sonho não será bom como o mesmo.

O respiro é igual para as duas vidas.


quarta-feira, junho 04, 2008

Sobre Parte

A gota d'água que se espatifa no chão divide-se em muitas.
Fato é que não sabia ser mais de uma, antes de dividir-se.
Depois de dividida, não sabia que fora uma só, certa vez.


domingo, junho 01, 2008

Sobre Saber

Já não sei quem sou,
P'rá mim um recomeço,
O antes que esqueço,
Esqueci sem pavor.

Entre todo abrir de olhos,
Um pouco de fuga do grito,
Que a irrealidade cala
E a pergunta irrita.

Saber é pior que estar errado,
Pois engana a quem preocupa,
Envergonha quem sofre e
Tortura quem é.


À Paulista de Outrora

A minha Paulista não é mais a mesma. A chuva que nela cai cfertamente não é tão desejada, posto que poças inexistem e tudo o que lava, flui rapidamente agora.
O vento lapidou-a mais rápido do que se poderia prever, tornando em ruínas o meu passado, confrontando os olhos com tudo o que via e agora vê.
Agora tudo é segredo, na particularidade do que existia, certo e firme, não precisavámos de corrimões. Como bengalas, eles enfeitam a grande escadaria por onde vezes subi, diariamente - confiante ou não. A minha escadaria não existe mais.

A minha Paulista, menos ainda.

Não somos mais os mesmos.

Ambos.

Fato.


sexta-feira, maio 30, 2008

Emplastro 42

- Agora sim...claro!
- Hmmmm... o quê?
- O porquê disso tudo...a gente às vezes esquece.
- ...?
- É... um emplastro. Quase 42.
- Emplastro 42?
- A razão da existência de tudo isso. Simples.
- Se você diz...


Chuva na Endres

Ó Blog, o ausente perdoe!
Antes que tarde o sino soe
Do fim dos tempos idos,
Não se sinta comprometido

A esperar o tolo em vão,
Que cada vez mais fugido,
Sem aparente razão,
Sente as idéias, contido.

Que em outra rua senão,
Paulista de outrora,
Na Endres de novos tempos,
Nunca mais será são.


segunda-feira, março 10, 2008

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Meio tempo

Voltamos ao que somos, mais cedo ou mais tarde.
Assim como o dia vira noite. Da noite se fizera e retorna ao que é.

E se um dia houver o desejo pelo dia mais longo, cairá pelo mal da noite mais longa.
Certeza de que ambos terão a duração usual, porém as sensações prolongadas dos desprazeres será inexoravelmente vívida. Posto, claro, pelo desconcerto já há muito conhecido, as noites serão longas insones.

Carpe Diem dormindo. Os dias não têm a mesma cor de antes.
E como uma vontade absoluta que consome aos poucos, pelo desejo de desfazer-se em própria angústia, esvaindo o pouco que não se recompõe, um instante a mais na tentativa de torná-los: em vão. O dia merece pouco ou quase nada.

A noite tampouco.
Falta faz um meio tempo.


quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Ao Ódio

Bom dia!
Sente-se.
Aceita um café, um biscoito..
Água?
Ah..claro. Você está sempre bem.

Que bom!


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Dos Sapatos

É fantástico o agradecimento pela ausência.
Pois sapatos não precisam ser de cristal para causar reviravoltas.

Nem precisam ser metáforas para fazerem sentido.
Não precisam ser de sapatos os pés da princesa, nem de sapatos a aspirante.

De pato a cisne não há ligação por sapato.
E agradeço a ausência devida de sapato.

Pois certamente, de sapato, haveria desculpa alguma.


quinta-feira, janeiro 10, 2008

Niver

"As pessoas ficam felizes por você fazer aniversário. Todas sorriem e te desejam tudo de bom...sorrindo!
Talvez seja mais importante para elas...
Ao menos não devemos interromper o momento de felicidade alheio".



sexta-feira, dezembro 21, 2007

Asfalto, sapato e poça

A beleza da chuva é a paz. A torrente, trovoadas e poças d'água everywhere.

Cortinas visíveis nos separam do mundo, impedindo-nos do contato físico desejado por outrem, com punições a cada tentativa de mostrar algum tipo de educação.

Garanto sob o guarda-chuva a maravilha do asfalto, sapato e poça. Alternados.
Só meu.


segunda-feira, dezembro 10, 2007

VIII

É tudo cinza.
Meu companheiro de cela ficou admirando um desenho infantil. Talvez seja de filha, sobrinha ou neta. De menino não era. Muita cor, felicidade e bochechas coradas, um menino não desenharia aquilo.
Controlei o impulso à novidade, evitando a repulsa da felicidade, da inocência e liberdade.
De tanto ele admirar o desenho, o colocamos no lugar da ínfima janela do cárcere.
A partir de então, aquele desenho seria nossa paisagem.
As cores pareceram menos cinzas.


quinta-feira, novembro 29, 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

Água e Sabão

Quão profundas têm de ser as marcas?
Quais se formam ao se esfregar profundamente...
Insistentemente... incansavelmente...

Até que a alma saia limpa.
Se sair.
Se houver,
Alma ou sujeira,
Qual resiste muito mais?

A dor purifica. E basta.


segunda-feira, novembro 05, 2007

Chuva e Cabelos

Saudade da chuva infinitamente
Mais bela, e que fielmente
Sou devoto colunista,
Minha querida chuva na paulista.

Que de seus cabelos esvoaçantes
Os ventos o fizeram ser
A chuva como calmante,
Você eu posso ter.


quinta-feira, novembro 01, 2007

Coffee in Plastic Glass

Summer...actually spring. The hotness makes me wonder buying my own private iceberg. Of course I deserve it, and it'll be delightful scraped and mix with women sweet beverages... Forget it, I'm not a child anymore...instead...

Arrived early in the company, needed a wake-up drink. Knowing myself could imagine how fast I've decamped from the coffe machine even though it tried to confuse me, promising me a special better coffee...

Entered the restaurant, a twenty-two cents breakfast offer appeared me. Skipped bread and butter and ran directly to the coffee. For avoid burning my fingers, two plastic glasses.
Sugarless coffee, sweetener added.

Passed those tables and didn't feel like a good option to sit and enjoy my drink. Like those american movies, I walked drinking... and thinking...

"This strange feeling that everything is working properly, the future has been already planned and we're nothing but characters in a great play, seems the right speech for these days. It's just so full of reason, quite impossible to not believe in. Reason and purpose... Na ja, alles in Ordnung...

Well, now it's a good morning.